Declaração de Nashville
Sobre a sexualidade humana
Original publicado em 2017. Council on Biblical Manhood and Womanhood (CBMW).
«Sabei que o SENHOR é Deus; foi ele quem nos fez, e não nós a nós mesmos…»
Salmo 100:3 (tradução da citação do original)
Preâmbulo
Os cristãos evangélicos, no início do século XXI, encontram-se a viver um período de transição histórica. À medida que a cultura ocidental se tornou cada vez mais pós-cristã, empreendeu uma revisão profunda do que significa ser humano. De um modo geral, o espírito da nossa época já não discerne nem se deleita na beleza do desígnio de Deus para a vida humana. Muitos negam que Deus tenha criado os seres humanos para a sua glória e que os seus bons propósitos para nós incluam a nossa constituição pessoal e física como homens e mulheres. É comum pensar-se que a identidade humana como homem ou mulher não faz parte do belo plano de Deus, mas é antes uma expressão das preferências autónomas de cada indivíduo. Assim, o caminho para a alegria plena e duradoura, por meio do bom desígnio de Deus para as suas criaturas, é substituído por alternativas de vistas curtas que, mais cedo ou mais tarde, arruínam a vida humana e desonram a Deus.
Este espírito secular da nossa época coloca um grande desafio à igreja cristã. Perderá a igreja do Senhor Jesus Cristo a sua convicção, clareza e coragem bíblicas, conformando-se com o espírito da época? Ou apegar-se-á firmemente à palavra da vida, buscará coragem em Jesus e proclamará sem vergonha o seu caminho como o caminho da vida? Preservará o seu testemunho claro e contracultural perante um mundo que parece determinado a caminhar para a ruína?
Estamos convictos de que a fidelidade na nossa geração implica declarar novamente a verdadeira história do mundo e do nosso lugar nele — em particular enquanto homens e mulheres. As Escrituras cristãs ensinam que existe um só Deus, o único Criador e Senhor de tudo. Só a ele deve cada pessoa gratidão jubilosa, louvor sincero e lealdade absoluta. Este é o caminho não apenas para glorificarmos a Deus, mas também para nos conhecermos a nós mesmos. Esquecer o nosso Criador é esquecer quem somos, pois ele criou-nos para si. E não podemos conhecer-nos verdadeiramente sem conhecer verdadeiramente aquele que nos criou. Não nos criámos a nós mesmos. Não pertencemos a nós mesmos. A nossa verdadeira identidade, enquanto homens e mulheres, é-nos dada por Deus. Tentar fazer de nós aquilo que Deus não nos criou para sermos é não apenas insensato, mas também vão.
Cremos que o desígnio de Deus para a criação e o seu caminho de salvação servem para lhe trazer a maior glória e para nos proporcionar o maior bem. O bom plano de Deus oferece-nos a maior liberdade. Jesus disse que veio para que tivéssemos vida e a tivéssemos em abundância. Ele é por nós e não contra nós. Por isso, na esperança de servir a igreja de Cristo e de testemunhar publicamente os bons propósitos de Deus para a sexualidade humana revelados nas Escrituras cristãs, apresentamos as seguintes afirmações e negações.
Artigo 1
AFIRMAMOS: Afirmamos que Deus concebeu o casamento como uma união de aliança, sexual, procriadora e vitalícia entre um homem e uma mulher, como marido e esposa, destinada a representar o amor da aliança entre Cristo e a sua noiva, a igreja.
NEGAMOS: Negamos que Deus tenha concebido o casamento como uma relação homossexual, poligâmica ou poliamorosa. Negamos também que o casamento seja um mero contrato humano, em vez de uma aliança celebrada perante Deus.
Artigo 2
AFIRMAMOS: Afirmamos que a vontade revelada de Deus para todas as pessoas é a castidade fora do casamento e a fidelidade dentro do casamento.
NEGAMOS: Negamos que quaisquer afetos, desejos ou compromissos possam alguma vez justificar relações sexuais antes ou fora do casamento; também não justificam qualquer forma de imoralidade sexual.
Artigo 3
AFIRMAMOS: Afirmamos que Deus criou Adão e Eva, os primeiros seres humanos, à sua imagem, iguais perante Deus enquanto pessoas e distintos como homem e mulher.
NEGAMOS: Negamos que as diferenças entre homem e mulher, ordenadas por Deus, os tornem desiguais em dignidade ou valor.
Artigo 4
AFIRMAMOS: Afirmamos que as diferenças entre homem e mulher, ordenadas por Deus, refletem o desígnio original de Deus na criação e se destinam ao bem e ao florescimento humano.
NEGAMOS: Negamos que essas diferenças sejam resultado da Queda ou uma tragédia que deva ser superada.
Artigo 5
AFIRMAMOS: Afirmamos que as diferenças entre as estruturas reprodutivas masculina e feminina são parte integrante do desígnio de Deus para a compreensão de si próprio como homem ou mulher.
NEGAMOS: Negamos que anomalias físicas ou condições psicológicas anulem a ligação estabelecida por Deus entre o sexo biológico e a compreensão de si próprio como homem ou mulher.
Artigo 6
AFIRMAMOS: Afirmamos que aqueles que nascem com uma perturbação física do desenvolvimento sexual são criados à imagem de Deus e possuem dignidade e valor iguais aos de todos os outros portadores dessa imagem. São reconhecidos pelo nosso Senhor Jesus nas suas palavras acerca dos «eunucos que nasceram assim do ventre materno». Tal como todas as outras pessoas, são bem-vindos como seguidores fiéis de Jesus Cristo e devem acolher o seu sexo biológico na medida em que seja possível conhecê-lo.
NEGAMOS: Negamos que ambiguidades relacionadas com o sexo biológico de uma pessoa a tornem incapaz de viver uma vida frutífera em alegre obediência a Cristo.
Artigo 7
AFIRMAMOS: Afirmamos que a compreensão de si próprio como homem ou mulher deve ser definida pelos santos propósitos de Deus na criação e na redenção, tal como são revelados nas Escrituras.
NEGAMOS: Negamos que adotar uma compreensão de si próprio como homossexual ou transgénero seja compatível com os santos propósitos de Deus na criação e na redenção.
Artigo 8
AFIRMAMOS: Afirmamos que as pessoas que sentem atração sexual por pessoas do mesmo sexo podem viver uma vida rica e frutífera, agradável a Deus, mediante a fé em Jesus Cristo, à medida que, tal como todos os cristãos, andam em pureza de vida.
NEGAMOS: Negamos que a atração sexual por pessoas do mesmo sexo faça parte da bondade natural da criação original de Deus ou que coloque alguém fora da esperança do evangelho.
Artigo 9
AFIRMAMOS: Afirmamos que o pecado distorce os desejos sexuais, desviando-os da aliança matrimonial para a imoralidade sexual — distorção que inclui tanto a imoralidade heterossexual como a homossexual.
NEGAMOS: Negamos que um padrão persistente de desejo de imoralidade sexual justifique comportamentos sexualmente imorais.
Artigo 10
AFIRMAMOS: Afirmamos que aprovar a imoralidade homossexual ou o transgenerismo é pecado e que tal aprovação constitui um afastamento essencial da fidelidade e do testemunho cristãos.
NEGAMOS: Negamos que a aprovação da imoralidade homossexual ou do transgenerismo seja uma questão moralmente indiferente sobre a qual cristãos, de resto fiéis, devam concordar em discordar.
Artigo 11
AFIRMAMOS: Afirmamos o nosso dever de falar sempre a verdade em amor, incluindo quando falamos uns com os outros, ou uns acerca dos outros, enquanto homens ou mulheres.
NEGAMOS: Negamos qualquer obrigação de falar de formas que desonrem o desígnio de Deus para aqueles que trazem a sua imagem como homens e mulheres.
Artigo 12
AFIRMAMOS: Afirmamos que a graça de Deus em Cristo concede tanto perdão misericordioso como poder transformador, e que este perdão e poder capacitam um seguidor de Jesus a mortificar desejos pecaminosos e a andar de modo digno do Senhor.
NEGAMOS: Negamos que a graça de Deus em Cristo seja insuficiente para perdoar todos os pecados sexuais e conceder poder para a santidade a todo o crente que se sinta atraído para o pecado sexual.
Artigo 13
AFIRMAMOS: Afirmamos que a graça de Deus em Cristo capacita os pecadores a abandonar conceções transgénero de si próprios e, pela paciência divina, a aceitar a ligação ordenada por Deus entre o seu sexo biológico e a compreensão de si próprios como homens ou mulheres.
NEGAMOS: Negamos que a graça de Deus em Cristo sancione conceções de si próprio contrárias à vontade revelada de Deus.
Artigo 14
AFIRMAMOS: Afirmamos que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar pecadores e que, mediante a morte e ressurreição de Cristo, o perdão dos pecados e a vida eterna estão disponíveis para toda a pessoa que se arrepende do pecado e confia somente em Cristo como Salvador, Senhor e tesouro supremo.
NEGAMOS: Negamos que o braço do Senhor seja demasiado curto para salvar ou que algum pecador esteja fora do seu alcance.